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Mesmo que a dor desague em seu rosto, se aplume! Homens fracos parasitam a vida de mulheres fortes Dissimulam o afeto enquanto quer apenas destruição. Lembre-se, pretinha, daquele homem que bem lhe amor Não aceite menos! Mas não há amor igual aquele do homem que você herdou a pele e a força Coroe-se com essas lembranças Já quem faz a sua cabeça é você mesma. Se aplume! Chore! Desabar faz parte, Pois somos as mulheres, que apesar das ruínas desse mundo fedendo a falo, Vivemos uma liberdade que assusta. Deixe que lancem as mesmas cordas as quais lançaram em nossas bisavós Deixe que rotulem nossos corpos Nas brasas de suas línguas essas que nos marcam de puta depois que nos chupam Deixe... E grite! Seu grito vai enrolar as cordas nos pescoços E entortar as línguas-ferros. Se aplume, Grite e deixe ir. Juliana Sankofa
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Fizeram-me em pedaços Chorei Pediram perdão... E o perdão me fez de quebra-cabeça, indiferente com as minhas várias peças, Fez-me objeto. Que poesia há em transformar esquartejamento em lirismo? Toda violência contra quem sou transformam em eufemismo "Não é bem assim, é apenas um mal entendido" Nisso tudo, o meu corpo é o único que sai ferido e brancamente denegrido. Porque eu sou a pretinha do coração que não relevou uma "sutil" agressão Mas e o amor onde nisso fica? Recolha os meus pedaços e me jogue no lixo É culpa minha? Não posso discordar que seja. Juliana Sankofa
Os escombros do engenho Se perderam no tempo, Mas as ideias não. O racismo transforma um colar de pedra vermelha Em coleira ou forca Além de transformar o afeto em cilada. É importante não se esquecer Que no incrível mundo dos brancos Preto bom é preto calado Submisso e que não questiona Da luta preta não há claros apoiadores Mente turva e colonial Doença de época Daqueles que dizem realizar uma luta social No lado esquerdo da sociedade Junto a nós, pretos, que nunca fomos aceitos em nenhum lado. Sinta o forte odor desse colonialismo apodrecido Que os brancos fingem não sentir E que a todo momento dizem ser coisa da nossa cabeça. Antes que você se torne uma esfinge de nariz quebrado, Pressinta e evite a claridade Que desqualifica a experiência preta. Sorria! É preciso sorrir Deixe bem escurecido Que seu sorriso não lhe coloca a venda. Ah, escreva! Escreva poemas-expurgos Para livrar a mente das violências neocoloniais. Juliana Sankofa
"Somos todas Marielle" diziam as brancas Quando uma preta ocupou um cargo de liderança exalaram toda uma herança colonial. A lógica é branca aceitam nossa presença apenas se estamos submissas O sexo é o mesmo isso ninguém nega, aliás nem acham que preta é mulher e que mulher pode ser preta Adoram nossas contas de umbanda mas nunca pararam para fazer as contas mais de 500 anos de escravidão muito menos de abolição É privilégio em cima de privilégio e a brancaiada acha que racismo é ficção. "Ninguém larga a mão" mas se a mão é preta logo começa a confusão É a preta agressiva que não aceita as regras brancas de uma fingida união É Ele não! É importante gritar! Já passaram tantos anos E ainda tem sinhá De esquerda ou de direita fica difícil separar só resta uma dúvida: Quantos bolsonaros cabem na alma de uma sinhá? Juliana Sankofa

AMOR 0RIGINAL

Dedicado a Sylvia Franceschini, amor 1. Não foi amor a primeira vista Mas, agora, cada momento que eu a olho, o amor se manifesta único.  Não é um amor que precisa de parentescos E sim aquele que as pessoas se conectam pelo sorriso.  Quando brigo com você Sinto uma dor indescritível Como se alma fosse arrancada junto com o coração  Sempre pergunto o porquê ser fácil lhe chamar de amor,  Meu amor Um um sentimento único... Talvez amar seja essa coisa esquisita De querer abraçar quando está por perto  Marcar a face com o peso sincero de um beijo Será que é algo de outras vidas?  pois o pouco que lhe conheço  Eu a sinto tão familiar Meu amor lhe adotou  Enegresceu os seus olhos  Deixou os pensamentos mais doloridos Eclipsou no afeto mútuo.  Cada instante de sua existência  alegra-me.  Seu olh

A ODISSEIA DA FLOR

                                            Homenagem a Silvia Priore, uma flor de teimosias . Basta um instante Para brindarmos as lembranças, Fotografias da mente Repletas de sons. Os risos ou as lágrimas   da memória iluminam a face do presente. Do quartinho minúsculo a amplidão do mundo, os desafios foram dores esquecidas. Pessoas se foram, outras chegaram. Amores? Quem sabe... A mineiridade da paulista Jeitinho “come quieto” de quem sabe que a vida é mesmo um trem cheio de vagões-pensamentos. Viveu-se o incontável também o inarrável, a flor e sua odisseia. Das lutas,   uma mulher que atira pelo sorriso. Tramas não percebidas, Coragem estranha viva nos olhos assim se foram os anos... Agora, um dos amores da poeta: Admiradora das suas histórias e contundente quando briga. Aliás, quantas brigas? Quantas lágrimas? Não importa. Na face rosa Meus lábios verdes marcam o enigma do coexistir Poetamente escrevo uma

HINO DO GENOCÍDIO

Eu não sou o tempo todo poesia Sou pólvora Minhas palavras implodem as mais diversas lógicas Não sou criada de ninguém Nem sou filha do desdém Sou ideias em chamas Mirando interrogações Até que nelas me corto E começo a me perguntar os porquês Não lido com mal entendidos E sim com o que foi dito Racismo, numa sociedade racista, não é o pior dos delitos. Em um país de cristãos, é digno de perdão e não de pena... Mas a pena máxima é dada diariamente aos mesmos corpos e em todas as esferas da sociedade Corpos-erês Com tiros no peito Com tiros nas costas Com acidentes simulados Essa nação, que mata crianças que coíbe o meu grito, Canta o hino do genocídio Camuflando com o som de   “Marielle vive” Juliana Sankofa 30/11/2019