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VÓ ROSA




Lembro das horas
que ansiosa eu as apressava
só para poder vê-la,
E o castigo era sempre não poder visita-la
O calor do fogão à lenha
Ainda aconchega minha face menina
Enquanto eu ouvia as palavras
que como mágica de uma fada
 transformava -nos,
seus pequenos,
nas pessoas mais importante da terra

Lembro-me das horas
que diante do meu olhar de estranhamento
diante de sua imagem
Explicou-me sorrindo
Que só lhe faltava cor
Jamais amor.

Lembro-me das horas
Em que ouvíamos nas ruas
Que éramos seus pequenos escravos
Mas com uma ira  tão doce
Esbravejava contra  aquelas tolices
E para nós que daquelas coisas nem  entendíamos
Sorria e brincava
Diziam como era bom jogar pedra no rio
Quando queria jogar pedras nos homens.

Amava-nos
E no instante em que nos deixou
Toda memória reavivou
Já homens
Já mulheres
Nossa lágrima ainda criança
Desenhou na existência
Sua imagem sorrindo.
Lamentamos
Por não ter jogado pedra na morte

Juliana Costa 26/05/2017 JF/MG

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