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A PRÓXIMA ENCRUZILHADA


    Eu tive um pesadelo bem sinistro. O coiso foi eleito presidente, um caos reinou no país. Gente preta morrendo aos montes devido à violência do Estado... Ops, não, isto era antes do Coiso ser eleito, confundi. Mas lembrando do sonho, o inferno social, racismo não ficou mais na esfera da sutileza, legalizado, todo mundo colocou os seus sinhôres à luz do nosso século. Corpos negros foram os primeiros a desaparecer, mas a ênfase social sempre foi nos corpos brancos desaparecidos, pois de alguma forma fizeram falta. Foram extintas as cotas raciais que brancos fraudavam e privatizou-se o ensino superior, mas mesmo assim o branco pobre entrava, já que o problema da sociedade não é racial, é de classe. Acordei, calafrios e uma cabeça dolorida . Depois de tanta coisa horrível, resolvi dormi novamente, refiz os cantos, preces para alguns. 
    E tive um sonho muito lindo, o Coiso não foi eleito. Mas algo do pesadelo se manteve, as pessoas pretas morrendo aos montes devido à violência do Estado e a aquela multidão inconformada pelo golpe, regozijando a vitória, felizes pela vitória da democracia, corpos negros desaparecidos, “Quem foi mesmo o Amarildo?”. 
    Acordei com medo de fechar os olhos, olhei com medo de abri-los demais. Resolvi fechar todas as janelas, apagar todas as luzes, preciso da escuridão para ver aquilo que muitos se negam a perceber. Constatei, devido ao pesadelo e também por causa do sonho, que é tão ruim quanto os fascistas deixam de ser anônimos e se tornam líderes. Na efusão de pensamentos, surgiu a ideia, é preciso colocar o Brasil na próxima encruzilhada.

Juliana Sankofa
Viçosa- MG 

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